Bolo Castelo de Princesas

Outra coisa que ficou por partilhar foi o bolo de anos da Sofia. Vá que ainda não passaram 2 meses desde que ela fez anos!

Alguma vez tinha de me calhar o tema das princesas! E como a princesa princesas queria, princesas a princesa teve! E todas elas ☺

Como ela não queria uma princesa específica, queria todas, e eu precisava de um bolo grande, optei por lhe fazer um castelo.

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As imagens das princesas foram compradas num fornecedor destes materiais, e só tive de as adaptar ao conceito.

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O bolo sobreviveu a duas viagens e a um dia de calor tórrido, o que para um bolo desta estrutura é um feito. Vá que para o meio da tarde já se notava alguma semelhança com a torre de pisa, mas com aquele calor até eu estava torta!

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De qualquer forma a ideia não era ser um bolo perfeito, era fazer dos anos dela um dia perfeito. E foi.

Família e amigos juntos, alegria e boa disposição, muita brincadeira e muitos companheiros para brincar. Não há nada melhor!

E claro, uma princesa muito feliz com um bolo maior do que ela com todas as princesas que ela conhece! Não me quero esquecer da cara dela ao dizer “é este o meu bolo mamã?”, são estas expressões que fazem valer a pena todo o trabalho, todas as horas de sono que sacrifico e toda a correria, para fazer um bolo.

No fundo é só um bolo… Mas mais do que um bolo é um sonho tornado realidade ☺

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E estava delicioso!

Como Simplificar a Rotina do Jantar

A rotina do jantar é um drama desde sempre. Lembro-me bem da minha avó se queixar de ter de decidir, todo o santo dia, o que seria o jantar. E quando não era a minha avó era a minha mãe. Com algumas folgas em que eu e a minha irmã tomávamos de assalto a cozinha, mas ocasionalmente, e claro, ou à sexta-feira ou ao sábado quando a escola não nos pesava.

Cozinhar para 1 ou para 2 é sempre diferente e quando não há filhos o tempo é mais elástico, por isso acho que até ter chegado à idade dos filhos a rotina do jantar nunca me foi pesada. O problema foi depois e agravou-se a cada bebé que nasceu.

A Mafalda, sendo a primeira, ensinou-me que o jantar tem de ser servido, pontualmente até às 19h30. Porquê? Porque a minha rotina de trabalho a obriga, desde cedo, a acordar às 7h00, o que significa que tem de estar na cama até às 21H00, ou não acordará sozinha na manhã seguinte. Se ela tiver de ser acordada é porque não dormiu o suficiente, e isso vai-se refletir nela ao longo do dia. Por outro lado às 19h00 até eu estou cansada de um dia de  trabalho por isso aprendi que não posso exigir que ela esteja fresca que nem uma alface depois de um dia de aprendizagem, muitos estímulos e muita brincadeira. Para ter um jantar sem birras delas nem irritações nossas, e para que ela coma uma refeição como deve ser sem adormecer de cansaço a meio, o jantar tem de estar na mesa até às 19h30. Depois desta hora a situação é tal e qual a da Cinderela, tudo  vira abóbora, ratos e roupa rota.

Este foi o grande ensinamento da rotina da hora do jantar:

Se queres uma refeição com pouco stress respeita o cansaço das tuas crianças e não exijas mais delas do que elas são capazes de dar.

Até aqui a coisa é mais ou menos pacífica e não diz nada, ou diz quase tudo. Porque uma pessoa que, como eu, chega a casa sempre depois das 18H00, tem muito pouco tempo para preparar uma refeição decente, higienizar as crianças e ESTAR com elas, e nenhuma vontade de sair a correr do trabalho para se enfiar na cozinha.

E foi aqui que o problema começou para mim. Não só comecei a ter dificuldade em variar a alimentação, como  comecei a achar extremamente enfadonho começar a pensar no que haveria de fazer de jantar às 16H00. E começou a ser muito deprimente para mim chegar a casa e enfiar-me na cozinha e não estar com a Mafalda.

Depois veio a Teresa, a dificuldade duplicou, passou a haver mais uma pessoinha para atender e com quem brincar, mais um corpinho para lavar, e o mesmo tempo para cumprir com todas as tarefas.

Depois veio a Sofia. E claro, não se tonou mais simples.

Desde então tenho procurado uma forma de tornar o meu fim de dia mais simpático para mim e para elas, e isso passou por simplificar a rotina do jantar sem sacrificar o próprio jantar! E deixamos de alternar entre peixe com batatas e bifes com arroz.

Vamos lá ver como:

Método #1 – Ementas semanais

A sério? Sim. Parece redutor e elementar mas é a base de toda a economia de tempo.

Este primeiro método foi o que eu usei enquanto fomos só 3. Penso que se adapta bem a quem não tem filhos, ou a quem tem um só filho, ou a quem tem um pouco mais de tempo disponível para preparar o jantar.

Este método é de facto muito simples e consiste apenas numa planificação das refeições da semana.

Vantagens

  1. Permite elaborar um plano de refeições saudáveis e equilibrado com a necessária variedade. O que reduz a ansiedade de estar todos os dias a pensar. O tempo que demora a tomar uma decisão para 7 dias da semana é menor do que o tempo que demora a tomar uma decisão todos os dias. Também permite escolher refeições mais simples para dias mais complicados. Por exemplo se há idas ao ginásio ou atividades extra curriculares é boa ideia pensar numa refeição que se faça em 15 minutos, que possa ser feita com sobras da véspera, ou que tenha sido adiantada no fim de semana.
  2. Permite gerir a despensa e o orçamento de forma equilibrada e reduz o desperdício. As ementas permitem saber antecipadamente quais são os alimentos que vão ser preparados nessa semana, e são a base perfeita para uma lista de compras sustentável. Compras só o que vais cozinhar e não todos aqueles ingredientes que vão acabar por se estragar porque afinal não os usaste.
  3. Podes adiantar alguma coisa ao fim de semana, ou de véspera se tiveres uma janelinha de tempo. Imagina que vais querer fazer um arroz de peixe ou uma massada de peixe. Podes deixar o peixe cozido e arranjado, o refogado feito e o caldo preparado. No dia é só ferver o caldo e cozer a massa ou o arroz e juntar o peixe. Facilita muito poderes usar o teu tempo nos dias em que tens tempo para usar.

Pode parecer simples mas acredita que é eficaz.

Método #2 – Preparados e Congelados

Para este segundo método precisas na mesma de uma planificação semanal, ou mensal das tuas refeições, por todas as razões que já apontei.

Não é obrigatório ter uma arca para além do teu congelador combinado, mas quanto mais espaço tiveres de congelação, mais refeições podes deixar preparadas. Tens é de mudar a tua abordagem ao congelador: a partir do momento em que preparas e congelas as tuas refeições deixa de fazer sentido teres o congelador cheio de comida EXTRA para cozinhar.

A ideia neste método é sacrificares um tempo do teu fim de semana e preparares algumas refeições e congela-las. Quando precisares é só descongelar (de véspera) e aquecer. Estão prontas na hora de comer e podes usar o teu fim de dia para outra coisa qualquer.

Como funciona?

Nem todas as tuas refeições precisam de ser pré cozinhadas e congeladas. Vamos começar por um cenário mais simples e assumir que fazes estas refeições congeladas só para os dias mais complicados da tua semana.

A ideia é no fim de semana anterior preparares as refeições como se as fosses comer. Depois de frias congelas nas quantidades necessárias para as tuas refeições. De véspera descongelas e no dia aqueces e eventualmente fazes uma salada ou outro acompanhamento.

Ideias de Refeições

As refeições de carne que melhor resultam são as que são assados, estufadas ou guisadas.

Receitas de sucesso de carne:

Carne de porco assada, carne de vaca guisada, jardineira de carne, carne à bolonhesa, frango estufado (podes escolher as variações que quiseres: de cerveja, com cogumelos, simples…), lasanha de carne, almôndegas, osso buco estufado, bochechas de porco estufadas, coelho estufado, perna de perú assada, strogonoff e bifinhos de frango com cogumelos.

As receitas de peixe que melhor resultam são aquelas que levam molho branco, ou que são cozinhadas com o peixe desfiado:

Receitas de sucesso de Peixe:

Bacalhau com natas, lasanha de peixe (bacalhau, pescada, afins), bacalhau ou peixe escondido, bacalhau espiritual e todas as receitas de peixe semelhantes. Atenção que receitas que levem muito puré de batata e pouco molho a envolver, podem não ser agradáveis a todos os palatos.

Outras receitas que podes usar seguindo este método são, por exemplo: arroz de frango ou de pato, em que congelas a carne previamente cozida e desfiada no caldo da cozedura. Podes até congelar o caldo já com o refogado. No dia é só descongelar e cozer o arroz no caldo. Podes usar este mesmo método para o arroz e a massa de peixe.

Método #3 – Congelados e Preparados

Este método deu-me água pelas barbas e demorei mais de um ano a conseguir interiorizar o conceito, que de imediato me pareceu palerma.

Acontece que hoje uso este método em 90% das minhas refeições semanais, e sempre que posso até ao fim de semana!

Este método, para além da mesma planificação semanal ou mensal das tuas refeições, exige um investimento numa panela eléctrica tipo CrockPot. O CrockPot não é mais do que uma panela eléctrica dentro da qual está um recipiente cerâmico onde os alimentos são cozinhados a baixas temperaturas e durante longos períodos de tempo geralmente entre 4 a 8 horas, dependendo do tipo de alimento.

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Já estou a imaginar a tua cara… 8 horas?! Não era suposto isto ser rápido? E é!

Estas horas são as horas em que estás a trabalhar! Enquanto vais trabalhar o CrockPot cozinha por ti, e quando chegares a casa cheira deliciosamente a jantar pronto!

As minhas primeiras relutâncias floram precisamente a questão do tempo de cozedura aliado ao facto de ter de deixar a panela ligada sem ninguém em casa. É claro que não deixava nem o fogão nem o forno. Mas já deixei a iogurteira porque sei que não há como queimar os iogurtes e pegar fogo à casa.

E o CrockPot é igual. Por cozinhar a baixa temperatura e tapado não há quase evaporação nenhuma e a própria água dos alimentos é suficiente para assegurar a cozedura, por isso o risco é praticamente nulo. Basta que a panela fique bem ligada, e afastada de panos, tralhas ou de outros equipamentos porque a panela aquece.

Como funciona?

Por ser um método de cozinhar as alimentos que é lento requer algum planeamento, nem que seja de véspera.

Por norma eu construo a minha ementa mensal e escolho os dias em que me dá mesmo jeito chegar a casa e ter tudo pronto, ou ficar só com massa ou arroz para cozer. Com base nisto preparo as refeições com os alimentos crus, como se estivesse a preparar para enfiar tudo num tacho só que em vez do tacho enfio tudo num saco de congelação, fecho, rótulo e congelo. Por exemplo, imagina que eu  quero fazer lombo assado (fica espetacular!), então eu pego no lombo e tempero com sal e pimenta, envolvo-o numa massa de pimentão e alho com azeite. No saco ponho uma ou duas cebolas cortadas em rodelos, folhas de louro, cenouras e o lombo temperado.

Misturo bem para os sabores do tempero passarem também para os legumes e fecho o saco. Congelo assim.

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No verão só tiro as refeições do congelador de manhã, para que possam descongelar durante a manhã e cozinhar da parte da tarde.

O meu CrockPot está ligado a um daqueles programadores de tomada que ligam e desligam sozinhos. São muito fáceis de usar e encontras com facilidade. Assim eu programo a hora a que ele liga e a hora a que ele desliga. Na hora de desligar eu já estou em casa, mas se posso deixar programado deixo de ter problemas se houver algum imprevisto e eu tiver de alterar os meus planos! E sempre é menos uma coisa para eu fazer! Se estiver a dar banhos não tenho de vir a correr.

No Inverno é quase a mesma coisa mas deixo as refeições a descongelar durante a noite no frigorífico. Porquê? Porque de Inverno, com o frio, as refeições demoram mais tempo a descongelar e o que acontece é que por vezes, quando é hora do CrockPot ligar, a comida ainda não está descongelada por inteiro, ou a temperatura no interior da carne é substancialmente mais baixa do que no exterior. Por uma questão de segurança alimentar convém que não existam diferenças muito substanciais entre os alimentos no processo de cozedura, e como este método cozinha os alimentos a baixas temperaturas, não temos a desculpa de que depois é fervido e morre a bicharada toda. O melhor é não criar condições para que ela se desenvolva e esta é uma forma de o fazer.

Basicamente é isto: Um CrockPot, um programador de tomada para maior autonomia, um bom planeamento de refeições e muito descanso. E não há nada como meter a chave à porta, entrar e cheirar a jantar pronto a servir!

Ideias de Refeições

No CrockPot podes fazer assados, cozidos e guisados. No caso do peixe podes também fazer peixe em papelotes para cozinhar ao vapor.

Receitas de sucesso de carne:

Carne de porco assada, carne de vaca guisada, frango estufado (podes escolher as variações que quiseres: de cerveja, com cogumelos, simples…), frango assado, bochechas de porco estufadas, coelho estufado, perú assada, strogonoff e bifinhos com cogumelos.

Receitas de sucesso de Peixe:

Preferencialmente receitas para cozinhar postas, lombos ou filetes ao vapor, em papelotes de papel de alumínio ou papel vegetal.

Rentabilizar o Investimento

O CrockPot é um auxiliar versátil. Há muitas coisas que podes fazer com ele, especialmente se estiveres por perto, para ires verificando o progresso. As ideias de refeições que te apresentei são aquelas que podem ser deixadas e fazer enquanto sais para trabalhar. Mas a verdade é que podes fazer muito mais receitas, podes fazer bolos, lasanhas e outras pastas, receitas de arroz, omoletes (à laia de tortilhas!), podes cozer pão, fazer doces de colher, sopas e compotas! E as batatas assadas!? E enquanto o CrockPot cozinha vais fazendo a tua vida ou simplesmente sentas-te a descansar!

Onde Comprar

A minha aventura com o CrockPot começou nos sabões, por ser numa panela destas que se faz sabão pelo método a quente.

Como nunca tinha visto panelas destas apontei logo para a marca que lhe dá o nome, mas como não encontrei para venda em Portugal encomendei do Reino Unido, via EBay.

Existem várias marcas e vários modelos de várias dimensões. O meu tem 6 Litros e tem o tamanho certo para assados e para boa parte das receitas que faço, porque somos 5. Mas existem modelos mais pequenos. O meu não trazia a tomada compatível com as tomadas europeias mas isso não é nada que não resolvas com um adaptador  ou se tiveres um jeitoso por perto que perceba disso, podes sempre mudar a tomada.

Em alternativa?

Eu comprei um segundo CrockPot no ALDI, igual em tamanho e muito semelhante no resto. Comprei-o por um preço baixíssimo comparado com o primeiro. Custou-me 24,99€ e é este que eu uso para fazer o sabão. Por estar em contacto com o Hidróxido de Sódio, o revestimento brilhante da cerâmica ficou um bocadinho comido, mas continua operacional. Só não o uso para fazer comida que tenha de estar em contacto com a cerâmica. Ocasionalmente uso-o para assar as batatas em papel de alumínio, ou para cozer pão em forma.

Podes sempre ficar atenta ao LIDL ou ao ALDI que costumam ter estas panelas de tempos a tempos, e se conseguires apanhar uma destas compra porque vale mesmo a pena. E se poderes fazer o investimento e mandar vir uma de fora, faz porque acredita que simplifica mesmo muito.

Uma pesquisa rápida pela internet e pelo Pinterest vai dar-te um trilião de ideias de receitas, das mais saudáveis às mais indulgentes, mas com a prática vais ver que a nossa cozinha também pode ser cozinhada à inglesa!

Agora é escolheres um método e começares a simplificar os teus finais de dia!

Para uma ajudinha extra podes contar com os meus planeadores que te vão ajudar a organizar todo este processo: desde as ementas às listas de compras, passando pelo que tens no congelador, e ainda muito mais!

Ver Planeadores

E tu? Tens dicas para partilhar comigo?

Setembro, Setembro…

E já setembro se prepara para chegar a meio!

É incrível como o tempo passa a voar e a ver bem, a ultima vez que por aqui estive foi em Fevereiro. O memorial, para mais tarde recordar, dos anos da Sofia não conta.

E afinal, que raio se passou de fevereiro até aqui? Tens toda a razão em querer saber.

Felizmente nada de mais, só a vida a acontecer. Graças a Deus, não houve doenças muito más nem outras situações irreversíveis. Mas pela primeira vez em 8 anos tivemos problemas com um senhorio, o que nos obrigou a alterar, e muito os nossos planos.

Não estávamos a pensar mudar de casa, até porque nem chegámos a estar dois anos lá. Mas teve de ser e, em nome do bem estar da família, foi necessário rever todo o plano e toda a estratégia. Quando saímos da cidade para a aldeia, acabámos por ficar aqui porque se alinharam vários factores que nos condicionaram a escolha. E decidimos ficar por aqui, mas se na cidade a oferta de casas é grande, por aqui é muito pouca. O que dificultou e muito toda a situação.

E lá para meados de Maio conseguimos, finalmente, encontrar a nossa nova casa. E toca a encaixotar tudo outra vez. E agora a desencaixotar tudo outra vez!

E aos poucos vamos fazendo as coisas, vamos tornando esta casa no nosso lar. E posso orgulhosamente dizer que, ao fim de 3 meses já tenho as molduras penduradas na parede! Yuppi! Vivi numa casa onde, a altura em que consegui pendurar as molduras foi pouco antes de decidirmos sair de lá por isso para mim esta é uma grande vitória!

Quanto a este lugar gosto mais de viver aqui do que de onde vim, gosto mais da casa embora seja mais pequena, o que me obrigou a sacrificar o meu “estúdio”. Esta casa é mais casa, é mais acolhedora. Tenho mais quintal e mais horta logo mais trabalho!

Os vizinhos são diferentes, são mais comunitários. Há uma certa noção de pertença e um certo bairrismo que o torna tão especial. Grande parte destas pessoas vieram de “longe” como nós, o que dissolve aquela sensação de sermos estranhos e das pessoas olharem de lado para nós por termos vindo da cidade para a aldeia. Pela primeira vez na vida sei o nome das minhas duas vizinhas do lado. E há muitas crianças da idade das minhas, e muito espaço, sem carros, para brincarem todos na rua.

Tem sido uma boa experiência, mas muito consumidora de tempo. Por isso acabei por me afastar daqui. Não só porque não me sobrou grande tempo, mas porque na realidade os meus últimos meses foram só tralha, caixotes, arrumar, separar, organizar e sobretudo fazer caber o rossio na rua da betesga.

Mas é um sitio bonito para se viver, ora vê:

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Tudo visto dos meus domínios! Também temos um curso de água que confronta com o nosso quintal, agora está perto de estar seco, mas de inverno tem muita água que vem pela serra abaixo.

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E muito espaço para brincar!

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E mais uma forma de terapia, ou os meus comprimidos para esquecer a loucura do mundo:

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A minha horta experimental onde vamos aprendendo tanto do que se perdeu e passando o pouco que vamos aprendendo à geração futura. E claro, o grande luxo dos legumes biológicos, sem corantes nem conservantes, do horta para o prato.

E entre caixotes, arrumações e organizações o tempo passou. E foi assim que de fevereiro chegámos a setembro!

Os meus planos são de regressar às publicações semanais, mas a vida pode ter outros planos.

Ainda assim obrigada por estares desse lado. Obrigada por saberes esperar. Da minha parte já sabes que a vontade de estar por aqui é sempre muita.

E tu? Que correrias fizeste neste meio ano que passou?

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Sofia

Chegaste aos 3 sem que tenhamos bem percebido como.

Gostava que tivesse demorado um pouco mais, mas contigo é tudo assim, num piscar de um olho e, em menos de nada, sais do meu colo, bates as asas e voas, como se nada fosse mais natural que isto.

E eu fico feliz de te ver assim crescida, independente e segura, sem hesitações e muito poucos medos. Embora me doa um bocadinho olhar para ti e já não te ver bebé.

Estás grande. Digo não só de entendimento, mas também de tamanho. És robusta e maciça e muito boa de apertar entre abraços que ficam gravados cá dentro.

És natural. Sei que natural não é lá um grande adjetivo, mas contigo as coisas sempre saíram naturais. Com o correr da maré, sem grandes percalços nem soluços. Como se o que nos liga fosse de sempre e não só desta vida.

Isto da maternidade tem destes mistérios, vocês são 3 e não posso dizer que vos ame da mesma maneira. É verdade que é um amor igual em tamanho, em intensidade, em respeito, em admiração, em dedicação, em sacrifício e em entrega. Mas cada uma de vocês toca num lugar diferente de mim. E tu tocas neste da eternidade e do reconhecimento ancestral.

É talvez por isso que me és natural. E seres a terceira ajuda muito porque à terceira sou uma mãe muito mais fixe do que fui à primeira e à segunda. Já conheço a cartilha quase de cor e já não dou valor a coisas que sei que são passageiras.

O que não significa que não me zangue ocasionalmente. És natural mas tens o teu feitio. Sabes bem o que queres, és segura e determinada e sabes bem expressar a tua vontade. Detestas ser contrariada, mas deixa lá, não ligues ao que te dizem porque na verdade ninguém gosta de o ser.

És meiga como só tu sabes ser, ris muito e a tua gargalhada é doce, energica e contagiante mas os teus olhos riem muito mais que a tua boca.

Apertas-me com força e chamas-me fofeca, tal como te chamam na escola. Não consegues ficar chateada comigo, e se tiver de te ralhar amuas, mas vens logo depois com esse teu jeito de quem pede desculpa, abraças-me com força e eu digo-te que está tudo bem e que gosto muito de ti. Se fores dormir zangada comigo tens pesadelos e tenho de te acordar para fazermos as pazes.

Falas muito e bem e tenho a certeza que a música fará parte da tua vida, tal é o teu gosto pelos ritmos e pelos sons. Cantas que te desunhas e mesmo que nem sempre saibas a letra, conseguimos sempre, mas sempre, perceber o que estás a cantarolar.

Deixaste a fralda sem dificuldade e a chucha ficou também esquecida, num dia qualquer.

Gostas da escola mas gostas ainda mais de estar com os teus avós, ou em casa com as tuas coisas.

Este ano andas encantada com a Patrulha Pata, com as princesas da Disney e com a Drª Brinquedos. Não ligas nenhuma à princesa Sofia.

Brincas bem com as tuas irmãs, e sabes fazer valer a tua vontade. Se precisares de puxar uns cabelinhos ou dar umas dentadinhas também te sai com naturalidade e és conflituosa só na medida da idade que tens.

Gostas de animais e adoras as nossas gatas. Normalmente é aos teus pés que dormem, embora às vezes as estrafegues com tanta força que elas te arranham.

Gostas de mexer na terra e brincar ao ar livre. Gostas de praia e de água. Gostas de andar descalça. És destemida e feliz, o que faz de mim uma mãe feliz também.

Continuo ainda encantada com isto de fazeres anos no pico do verão. Eu habituada aos meus anos 3 dias antes do Natal e aos anos das tuas irmãs em Novembro, acho isto delicioso. Dias grandes e compridos, com bom tempo para ser passado com a família e os amigos, sem pressas e à vontade. O calor, o sol, os dias grandes…

Só tem o contra do forno ligado para fazer o bolo! Qualquer dia evoluímos para bolos de gelado! Este ano quiseste princesas. E só mesmo porque és a última, acedi. Algum dia havia de ter de fazer um bolo de princesas 🙂

Tiveste dois bolos hoje, só porque foi um dia comprido e estivemos ao almoço com os avós e as primas, e só ao jantar estivemos com o Pai e com a Mafalda. O do almoço foi de improviso, mas se há coisa que já aprendi é que prefiro mil vezes estar com vocês do que abdicar desse tempo para fazer um bolo, por mais perfeito que esteja. E como ainda não é tempo de férias para mim, escolhi estar contigo na praia em vez de ficar em casa a fazer um bolo perfeito.

E foi uma boa escolha. Já fiz bolos melhores e mais bonitos, mas cantámos na mesma os parabéns e o bolo também se comeu com satisfação!

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À noite o bolo estava mais composto. Ainda assim foi planeado para ser uma versão rápida de bolo. Mas estava muito bom.

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Ainda vais ter a tua festa. Com direito aos avós todos, aos tios e tias e aos primos todos ao monte. Fica a promessa de um bolo grande e bonito para ti, porque o mereces.

E já lá vão 3 anos de ti, 3 anos de nós. E não é que parece que é desde sempre?

Barro Branco

As crianças adoram plasticina. É um facto.

Eu quando era criança adorava plasticina. Eu enquanto mãe tenho horror a tudo o que não sei exactamente de que é feito e que com certeza vai ser comido pelas minhas filhas. E a plasticina entra nesta categoria de coisas.

Para além de se agarrar a tudo e delas a conseguirem espalhar por todo o lado!

Há muitas receitas de massas caseiras de plasticina muito mais ligeiras e menos perigosas, mas o que tenho para te mostrar hoje é algo que vai um pouco mais além do que isso.

Aqui há tempos andava à procura de um projeto para um dia de inverno que satisfizesse os meus critérios exigentes:

1 – não fazer demasiada bagunça

2 – ser fácil de preparar e de arrumar no fim

3 – permitir que elas o façam com alguma autonomia

4 – permitir que elas se mantenham entretidas muito tempo

5 – ser o mais seguro possível (ser comestível, vá!) para eu poder estar descansada.

Como elas gostam muito de pintar e eu já tinha prometido que íamos usar as tintas, acrescentei este ponto como requisito.

E a minha escolha acabou por incidir numa espécie de barro homemade, com apenas 3 ingredientes, que se molda ou se estende como se fosse massa de bolachas, que pode ser cortada com os cortadores das bolachas, que seca rápido, que endurece e que por fim pode ser pintada.

Um projeto vencedor que permitiu mantê-las ocupadas uma boa parte da manhã, fazer uma pausa para descontrair e brincar e mudar de registo enquanto a massa secou, e retomar da parte da tarde para pintar.

A confusão é reduzida, muito menor do que fazer bolachas e requer muito menos intervenção da minha parte, e deu para as 3 participarem, o que faz com que seja um projeto abrangente para várias idades.

Massa Branca – Receita:

– 2 chávenas de bicarbonato de sódio

– 1 chávena de amido de milho (maisena)

– 1 ¼ chávenas de água (fria)

O método é simples: junta o amido e o bicarbonato numa frigideira ou num tacho, e junta-lhes a água fria. Mistura até ficar bem homogéneo o que procuras é uma mistura semelhante a leite.

Leva a lume brando (podes começar com o lume um pouco mais alto). O que vais ver é a farinha a coser e por isso vai mexendo até ficar tudo com a consistência de um puré de batata bem armado. Neste ponto a farinha vai estar bem cosida e a massa pronta.

Deixa arrefecer. Se estiver mesmo fria é mais fácil usar porque não cola nem agarra. Mas não esperes muito porque a massa seca com alguma rapidez. Não é assim logo logo, mas não dá para ficar muito tempo parada.

Agora é só deixar a criançada estender e cortar a massa com as formas que mais gostam. É a primeira parte gira da coisa. Se quiseres fazer ornamento usa uma palhinha para fazer a furação para passar os fios.

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Passada a diversão e chegada à hora da pausa técnica, deixa secar. Para efeitos mais imediatos podes usar o forno, com muita moderação a 50 ou 60ºC, mas não mais e sempre a tomar conta para não queimar.

Na hora de pintar usa guaches ou tintas acrílicas. Elas usaram o que havia por casa que era precisamente digi-tintas. Mas usaram pincéis.

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Agora é a parte divertido número 2: soltar a imaginação e pintar! É entretenimento garantido por muito tempo.

Quando for hora de acabar é só por de parte a secar a tinta.

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E fica bem giro.

Outras ideias usando esta massa:

– enfeites para a árvore de natal

– adereços para as prendas. Podes texturá-los com folhas ou outros relevos e adaptá-las a qualquer altura do ano.

– bonecos modelados

– casas “de gengibre” não comestíveis. Podes usar botões, papéis, cartões ou mesmo pintar as casas.

Até eu me entusiasmei! Ora vê a minha interpretação da ovelha do Principezinho (Antoine de Saint Exupery). Dá para ver que não me sobrou muito jeito para a pintura!

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Pronta para experimentar?

A Feliz 4ª Feira de Cinzas

Diz que devia ser um dia triste, afinal o carnaval acabou e entra agora a quaresma, tempo de penitenciarmos os nossos pecados.

Mas mesmo com um dia de chuva como o de hoje eu estou feliz! Precisamente porque o Carnaval acabou.

Este ano não me apeteceu Carnaval. Nada. Não me apeteceu sequer pensar nisso quanto mais entrar em grandes tangos fandangos de costurar disfarces.

E nem de propósito, este ano, a título de castigo tive Carnaval vezes 3, vezes dois dias, ou seja o equivalente a 6 celebrações de Carnaval. É obra.

Não sei se foi mesmo de mim e de sentir que ainda agora foi Natal, se foi de me ver a braços sozinha com as 3, pela primeiríssima vez por mais de 48 horas seguidas, ou se foi precisamente por, pela primeiríssima vez desde sempre, estive afastada do meu marido mais de 1 semana.

Depois há esta sensação de que as crianças não se divertem nada com a forma como o Carnaval lhes é apresentado. Eu percebo esta coisa dos desfiles e de integrar a comunidade escolar na comunidade civil e tudo. Mas acho que não é este o caminho. Parece-me que uma festa com música, muita brincadeira e um bolo faziam a festa. Mas posso ser só eu.

Para começar a escola das pequenas fez um desfile de traje livre numa manhã. A Sofia foi de Fada Sininho mas deve ter sido a Fada Sininho mais infeliz da história da humanidade.

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Tanto que fiquei até com remorsos de a sujeitar a isto. O resultado é que em vez de assistir e tirar umas fotos bonitas das minhas filhas tive de desfilar com ela. Fazendo eu a palhaçada lá animou um bocadinho, mas ainda assim não se convenceu. E eu também não.

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A Teresa foi de Elsa mas esteve quase sempre com ar de “quando é que isto acaba” E quando percebeu que o itinerário do desfile tinha sido estendido para os mais crescidos então é que foi.

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Aí eu estava também ao lado dela, desistindo por completo das tais fotografias, tentando animá-la e brincando com ela. Mas honestamente não teve grande efeito. Era a música, a dança e o bolo…

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Depois à tarde quis acompanhar a Mafalda. Já vestida de Ana a coisa pareceu animar. Fosse pela companhia da irmã ou não a coisa ainda foi andando, mas não até ao fim. Acompanhámos o desfile mas a passagem à nossa porta foi a paragem terminal.

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Já a Mafalda, estando numa idade completamente diferente e tendo amiguinhas da mesma idade com quem partilhar as brincadeiras, achou alguma graça ao desfile dela, pelo menos até lhe começarem a doer os pés dos sapatinhos de cristal.

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O bom deste desfile foi ter passado junto ao lar dos idosos e ter gerado muitos sorrisos. Foi um momento com valor e com sentido.

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No dia seguinte foi dia de mais do mesmo. Sob o tema das profissões tive uma Dentista que mal vi desfilar, uma Dr. Ervilhólogo e uma Pasteleira.

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A Sofia só a vi de corrida porque mais uma vez, assim que me viu começou a chorar. Nem à terceira me consigo habituar! Só que desta vez não podia desfilar com ela e por isso fiquei escondida para ver se não lhe custava tanto.

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Ainda assim é de louvar a entrega e a dedicação de quem prepara e articula e faz estas coisas acontecer. Por detrás de tudo isto há muito planeamento, muita organização, muito esforço, muita criatividade, muito trabalho, muito espirito de sacrifício, e muita vontade de integrar a comunidade escolar na comunidade civil que a rodeia e isso é um valor que não se deve perder. Mas haverá espaço para melhorar? Sim. Creio que sim.

E posto isto estamos a 40 dias da Páscoa.

E se quiseres ler sobre o Carnaval de 2015 está AQUI e AQUI fiz uma retrospectiva das minhas andanças de mãe no Carnaval.

E tu? Muita folia?

Almofada Térmica de Sementes

O conceito não é novo, mas um pedido muito especial duma avó de primeiras águas, pôs-me a fazer almofadas de sementes. Para que serve uma almofada térmica de sementes? Para quase tudo, ora vê:

As almofadas térmicas podem ser usadas em termoterapia (calor) ou crioterapia (frio) para o alívio da dor, não constituindo por si uma forma de cura. Em alternativa as almofadas térmicas podem ser usadas simplesmente como aquece pés ou aquece camas nos dias frios de inverno, em substituição dos tradicionais (e perigosos) sacos de água quente.

A utilização da termoterapia da está recomendada para: espasmos musculares, dor lombar ou cervical, reumatismo e dor óssea, osteoartrite e artrite. A crioterapia está recomendada para: contusões, entorses, pés inchados, febre, dores de cabeça e enxaquecas.

Como é que se usam?

A Quente – Aquecer no microondas: Colocar a almofada e um copo com água e aquecer na potência máxima em intervalos de 15 a 30 segundos, até atingir a temperatura desejada. Verificar a temperatura da almofada antes de aplicar na zona de contacto para evitar queimaduras.

A Frio – Envolver a almofada num saco de plástico e levar ao congelador durante 2 horas. Aplicar na zona de contacto.

As almofadas térmicas são muito úteis no alivio das cólicas dos bebés e nas pequenas contusões das crianças. Sempre que usares uma almofada térmica a quente verifica a temperatura antes de aplicar a almofada na pele do bebé ou da criança!

É ou não é um presente ideal? E podes fazê-las pequeninas como estas que fiz (para bebé) ou com o tamanho que te parecer mais funcional!

Materiais:

– pano cru ou algodão branco

– algodão estampado ao teu gosto

– sementes de linhaça

– flores de camomila, sementes de alfazema, ou outros cheiros (opcional)

Para começar define qual é o tamanho da tua almofada. Eu fiz umas almofadas quadradas com cerca de 13cmx13cm. A almofada é constituída por duas partes: a almofada e a fronha.

A almofada deve ter menos 1 cm do que a fronha.

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Para fazeres a almofada só tens de coser as duas partes deixando um bocadinho aberto para virar do direito e encher com as sementes.

A mistura das sementes com os cheiros é feita na proporção de 2 volumes de sementes para um volume de cheiros. Mas usar o cheiro é opcional.

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Depois de encheres a almofada de dentro cose a almofada.

Para fazer a fronha vais precisar de um tecido estampado ao teu gosto. O esquema que eu usei para fazer a minha fronha é este:

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No fundo é um envelope com os extremos em bainha. Começa por cortar um rectângulo com o comprimento necessário ao tamanho da tua almofada. No meu caso a largura é 13cm e o comprimento é 37,5cm.

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Com a ajuda do ferro vinca as dobras e as bainhas. Cose-as.

Dobra a tua fronha de forma a poderes cosê-la lateralmente. Sobrepõe os dois lados de forma ao que ao virares a fronha para o direito a esta fique direita! Cose e remata as pontas soltas!

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Depois de cosida a fronha podes guardar a almofada no seu interior. É tão simples quanto isto. E podes fazê-las nos tamanhos que quiseres e com os padrões que mais gostares.

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Também estão disponíveis na loja!

Aqui!

Como fazer esfoliantes naturais

Eu nunca fui muito de cuidados de beleza e essas coisas. Primeiro porque era nova e sem paciência e um bocadinho maria rapaz. Depois porque vieram as crianças e foi-se o tempo e a paciência.

Mas depois de experimentar os sabões caseiros e a forma como a sua simplicidade resulta tão bem na minha pele, resolvi experimentar os esfoliantes naturais e adorei. Resultam lindamente, esfoliam e hidratam ao mesmo tempo, são fáceis de fazer, rápidos e muito baratinhos, que também é muito importante. E fazem uma prenda deliciosa num frasquinho todo bonitinho com um grande laçarote!

Então como fazer esfoliantes naturais? O agente esfoliante é o açúcar e o hidratante é um óleo a teu gosto, pode ser azeite, óleo de coco ou óleo de amêndoas doces. A partir daqui é ao teu gosto, podes usar óleos essenciais para aromatizar ou podes usar outros ingredientes que por si já têm aroma, como o cacau ou o café.

A proporção é sempre de 1 chávena de açucar para 1/4 de chávena de óleo.

Esfoliante Natural de Limão e Sementes de Papoila

Usa açúcar branco, óleo de amêndoas doces, 1 colher de sobremesa de mel por cada chávena de açúcar, umas gotas de óleo essencial de limão e sementes de papoila a gosto.

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Podes aquecer o mel ligeiramente para facilitar a mistura mas não demasiado. O que procuras tem esta textura:

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Não fica embebido em óleo nem fica demasiado seco, mas se lhe tocares vês que o óleo passa logo para a pele e é isso mesmo que se pretende! Agora é só por num frasco bem limpo para durar mais tempo.

Esfoliante de Alfazema

Usa açúcar branco, óleo de côco, óleo essencial de alfazema (lavanda) e sementes de alfazema.

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Mais uma vez, esta é a textura que procuras:

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Esfoliante de Cacau ou Café

O processo é o mesmo que nos anteriores mas aqui podes usar o açúcar amarelo ou mesmo o mascavado. Mas como o açúcar branco é o mais económico, e resulta muito bem como esfoliante, podes também fazer com açúcar branco.

Como tanto o café como o cacau têm um aroma intenso podes usar azeite que não se vai notar o cheiro do azeite. Quando fazes a mistura ela naturalmente cheira a azeite, mas vais ver que o cheiro se dissipa ao fim de uns minutos e acaba por predominar o cacau ou o café.

O café é café moído normal, daquele que se usa para fazer café nas máquinas. E tanto o café como o cacau entram na mesma proporção que o açúcar, mas podes sempre ajustar ao teu gosto.

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A textura que deves procurar é semelhante às anteriores.

Pronta para experimentar? Boa! Depois diz-me como correu!

Sabão de Leite de Cabra e Glicerina

O sabão que te mostro hoje é a versão pirata do sabão natural e é perfeita para fazer com crianças. Porquê? Porque é muito simples e rápida, pode ser colorida e feita em qualquer forma fofinha e pode levar brilhantes e outras coisas mais. E assim que sair do molde está pronto a usar.

As nossas primeiras experiências foram feitas com um Kit daqueles de ciências chamado Fábrica de Sabonetes. Recomendo.

A técnica é simples e consiste em derreter uma base de sabão, geralmente glicerina. Estas bases podem também ser de outras naturezas, esta branca é de leite de cabra e foi comprada numa loja online que fornece materiais para saboaria. Depois de derretida, ou no microondas ou em banho maria, podes usar corantes de base aquosa (os alimentares servem) para alterar a cor do sabão e brincar com cores e formas. Depois deita nas formas, mas sê rápida porque solidificam tão depressa como derretem! Deixa solidificar, retira da forma e está pronto a usar!

Esta técnica chama-se “Melt e Pour” o que traduzido é qualquer coisa como derreter e entornar, e é mesmo isso!

Sabão de Leite de Cabra

Este que te mostro é de leite de cabra, é branco e é muito suave. Começa por partir a base em bocados pequenos e colocá-los numa taça de vidro. Eu aqueço sempre o meu no microondas mas em intervalos de 30 segundos e não mais. Isto quer dizer que aqueço os primeiros 30 segundos e espero outros 30, depois mais 30 segundos a aquecer e mais uns quantos de espera e assim garanto que a base derretem sem a submeter a temperaturas muito altas.

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Depois de derretido podes juntar o corante. Existem corantes próprios para estas bases, mas os corantes alimentares funcionam bem, especialmente se forem em gel. Os corantes líquidos acrescentam um pouco mais de água à base e  a base vai acabar por deitá-la fora. Se for verão poderás não ter problema. Se for inverno o sabão transpira e perde a graça. De resto está sempre OK para ser usado!

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Quando estiveres contente com as cores deita o sabão em formas. As formas de silicone são perfeitas para estes sabões, especialmente porque são muito fáceis de desenformar!

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Podes brincar com as cores e misturar bases de glicerina transparente com as bases brancas opacas. E se queres um brilho extra nas tuas mãos e no teu corpo, acrescenta brilhantes à vontade! Os meus vinham no tal kit da Fábrica de Sabonetes e as miúdas adoram!

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E agora é brincar com as cores e as formas e por essa criançada toda a lavar bem as mãos, para gastarem os sabonetes depressa e fazerem mais!

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Pronta para experimentar?

Sabão Natural de Azeite

E agora uma coisa totalmente diferente! Sabão! Sim sabão natural de azeite, estás a ler bem. Sabão 100% natural feito em casa, com ingredientes da despensa e sem nomes impronunciáveis! Desde o verão que ando completamente viciada nisto de fazer sabão mas esta esta versão do sabão é pouco recomendada a crianças, por isso é um prazer só meu!

Mas há alternativas que podem ser feitas com a miudagem! Depois escrevo-te sobre o sabão que faço com elas. Este processo que te trago hoje é chamado processo a frio, ou “cold process”, mas como te digo, não é único.

Fazer sabão não é difícil nem requer nada de muito exótico, exige é um bocadinho de cuidado e respeito por algumas normas de segurança. Até porque isto de fazer sabão não é mais do que uma aula de química, tal e qual as da escola! No fundo o sabão obtém-se pela reacção de uma gordura (ácido gordo) com uma base forte ou seja com um sal muito alcalino.

Por cá, e porque o azeite é muito abundante e relativamente barato, esta é a gordura mais comum de usar no sabão, embora se possam usar outras, e o sal alcalino é o hidróxido de sódio, que conheces também por soda caustica, e convém que tenha um grau de pureza de 99%, ou seja não esteja misturado com outros detergentes. É com este sal que deves ter cuidado porque é caustico, ou seja tal como a lixívia que usas em casa, o hidróxido de sódio queima. O cuidado é o mesmo, atenção às mãos, pés e afins, muito cuidadinho com os olhos. Sempre com muita atenção quando manuseares este produto!

Fazer sabão é como fazer um doce, obedece a uma receita certa e não dá para substituir ingredientes sem reformular toda a receita, isto porque o sabão é obtido pela transformação das gorduras por acção do hidróxido de sódio, por isso a quantidade de hidróxido de sódio tem de estar ajustada à quantidade de gordura. Se estiver a mais, no fim da reacção vai sobrar hidróxido de sódio que não reagiu, e claro, se usares este sabão vais ficar com a pele esquisita e um bocadinho queimada! Se estiver a menos ficas com uma pasta gordurosa e pouco sabão porque acabou o hidróxido de sódio antes de se acabarem as gorduras. E cada tipo de gordura reage de uma forma diferente com o hidróxido de sódio! Felizmente há muitas receitas na internet e existem calculadoras em alguns sites que fazem as contas por ti. Basta escolheres as gorduras que queres usar e ele calcula a quantidade certa de hidróxido de sódio!

Escolhida a receita é juntar o material necessário. Tem de estar tudo à mão porque assim que começares a receita, não vais poder parar!

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Vais precisar de:

  • Uma panela de 22 cm em Inox (toma atenção que o alumínio reage com o hidróxido de sódio e por isso não é para usar nesta arte!)
  • Uma panela ou um tacho pequeno em Inox
  • Um recipiente de inox ou de vidro resistente ao calor
  • Uma espátula de silicone
  • Varinha mágica
  • Formas (silicone, plástico, pacotes de leite, etc. tudo o que não seja de alumínio!)
  • Uma balança digital
  • ingredientes da tua receita: inclui gorduras, hidróxido de sódio e uma fracção aquosa (água, chá, café, etc.). No fim deixo-te uma receita simples para começar!

A primeira coisa a fazer é pesar as partes. Começa pelos óleos na panela grande.

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Na panela pequena pesa a água ou a parte liquida e no recipiente pequeno e resistente ao calor (nada de alumínios) pesa o hidróxido de sódio. Convém usar luvas ou ter muito cuidadinho para manter as mãos longe do hidróxido de sódio!

A seguir aqueces as gorduras em lume muito baixinho, só para ficarem liquidas e eliminar quaisquer gorduras com partes sólidas. A temperatura não convém subir muito acima dos 43-45ºC por isso é pouco mais do que a temperatura das tuas mãos. É aquele quente sem queimar.

E nos entretantos preparas a solução do hidróxido de sódio. Convém estares num lugar ventilado, ou perto de uma janela, debaixo do exaustor do fogão ou até mesmo na rua. Pegas no tacho onde pesaste a água e numa colher de inox e juntas o hidróxido de sódio, devagar e mexendo lentamente e com cuidado por causa dos salpicos. Convém afastares o nariz  e evitar respirar porque a reação liberta vapores. O cheiro não é simpático mas passa assim que todo o hidróxido estiver dissolvido na água. Espera também que o teu tacho aqueça muito porque esta reacção liberta calor e chega quase a ferver a água. Convém deixar arrefecer um pouco até atingir a mesma temperatura de cerca de 43ºC.

Depois começa a festa! Já fora do lume juntas a solução de hidróxido de sódio às gorduras e a magia começa:

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Repara como a gordura ficou opaca. Agora mexes durante um bocado antes de passares à varinha mágica. A varinha mágica serve precisamente para acelerar o processo. Doutra forma estarias horas a mexer!

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Vês como muda depressa? Agora é preciso mexer com a varinha até chegar ao ponto de não retorno, a partir da qual a reacção de saponificação é irreversível. A este ponto é chamado o traço, porque dá um efeito de ponto de estrada quando passas a espátula fica um traço no fundo do tacho. Chegar a este ponto é mais ou menos rápido em função do tipo de gordura. Há gorduras com maior índice de saponificação e que se transformam em sabão mais depressa, outras mais devagar. Depois há óleos essenciais e aromas que ajudam a chegar lá mais depressa e outros que têm tendência a dificultar o traço.

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Quando se atinge este ponto é altura de juntar os óleos essenciais, os aromas e outros elementos como as argilas ou o mel. E mexer mais um bocadinho.

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Está perfeito quando se parecer com um pudim boca doce, com molho bechamél ou com maionese! Vês como fica marcada a forma da varinha mágica na massa? É isto que deves procurar.

Agora é por nas formas depressa antes que solidifique e tapar com película aderente para proteger do pó e das mãos mais incautas!

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Ao fim de 24 horas, às vezes não é preciso tanto, podes desenformar.

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Mas não está pronto a usar. A reacção ainda vai ocorrer durante mais umas semanas por isso deves guardar os teus sabões ao ar, longe de humidade. Um mês inteiro é a conta certa para se dar a reacção e para evaporar o excesso de água. No fim desse tempo deves ter um sabão bem rijo. Durante o processo de cura o sabão muda de cor, na grande maioria dos ingredientes vai aclarar, mas há alguns ingredientes que escurecem.

Isto do sabão é um mundo! Há muita coisa para aprender e experimentar, mas o resultado final é único e 100% natural. E se fizeres um sabão simples só com azeite, água e hidróxido de sódio tens uma verdadeira pérola para a tua pele sem nomes impronunciáveis e sem ingredientes com potencial de provocar cancro. E o melhor é que são amigos do ambiente!

Para lavar os teus utensílios deves mesmo usar luvas e junta uma boa quantidade de vinagre para fazer descer o pH para valores menos agressivos. Podes lavar com detergente normal da loiça porque o que lá tens é tudo lavável. Só não metas as tuas mãos sem protecção dentro da água de lavar porque a sensação é a mesma de meteres as mãos em lixívia pura.

Como vês é fácil e a tua pele agradece. Depois de experimentares nem vais conseguir usar mais nada!

Receita Básica para iniciação ao sabão

Sabão Natural de Azeite

Esta receita é muito simples e, assim sendo é perfeita para começar. Com ela obtens um bom sabão simples. É também boa porque permite muitas variações que não alteram a receita, o que quer dizer que com esta receita podes fazer vários sabões diferentes!

Ingredientes:

  • 600 gr de Azeite (pode ser do mais baratinho, desde que seja mesmo azeite)
  • 77 gr de Hidróxido de sódio (99% de pureza)
  • 228 gr de água destilada

Coisas que podes acrescentar a esta receita:

  1. 18 gr de cera de abelha para lhe conferir um pouco mais de dureza, o que faz com que o sabão não se desfaça tanto.
  2. Óleos Essenciais com os cheiros que quiseres. O peso recomendado para esta quantidade de óleos é 18 gramas, mas dependendo do cheiro poderás querer por muito menos que isso. De qualquer forma tem em consideração que o cheiro tenderá a suavizar, não só durante o processo de cura, mas também com o passar do tempo.

Variações à receita: experimenta substituir a água por infusões de alfazema, camomila, ou até mesmo café. Estas infusões devem estar bem frias, e se vierem do frigorífico ainda melhor. Nunca as uses a quente porque como vais mistura-las com o Hidróxido de Sódio elas vão aquecer ainda mais, o que pode ser perigoso para ti por causa dos salpicos e retira propriedades à infusão. No traço podes ainda juntar algumas sementes de alfazema, flores de camomila ou café moído como agentes esfoliantes. Mas repara que a cura vai alterar o aspeto das sementes!

Saber mais

Onde mais aprendi sobre a arte da saboaria foi com uma senhora chamada Anne L. Watson, ela escreveu alguns livros digitais, que vende por preços simbólicos (mesmo), e tem no site uma série de experiências que fez e os resultados que obteve. Ajuda a desmistificar muitas tretas que se lêem na internet e as receitas dela são também muito práticas, e as que já experimentei, fazem sabões deliciosos! Claro, está em inglês.

Em alternativa podes aprender com o mestre Roberto Akira, que é brasileiro e versado em química. O site dele tem também muita informação útil.

Existem várias saboeiras que fazem workshops pelo país fora. Procura um workshop perto de ti, porque vai mesmo valer a pena!

Materiais

Podes comprar os teus ingredientes em várias lojas online. Eu já usei duas e foram impecáveis. Uma é em Portugal e outra em Espanha, com bons preços e portes acessíveis. Em portugal podes contar com a Plena Natura e em Espanha com a Gran Velada que ainda por cima tem uma versão portuguesa do site.

Mãos à obra!