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Quando paro para pensar em ti lembro-me sempre daquele dia, daquela ecografia, da má notícia, do susto, da solidão naquela sala que me pareceu enorme, do medo de te perder, do alívio de te ter finalmente nos braços e dos dias difíceis que tivemos até aos teus 18 meses. Tudo parecia tão improvável…

E depois fazes 6, senhora de ti. Refilona, dona das tuas palavras, rezingona mesmo. Mas doce como só tu sabes ser. Engraçada e brincalhona, usas as palavras nos teus jogos, inventas novas, dás-lhes outro sentido sem teres medo delas.

Foi um ano de mudanças que aceitaste com muita coragem. Expliquei-te que não faz mal ter medo (eu nunca pude ter medo, sabes?), que é normal termos medo das coisas que não conhecemos e que não sabemos como são.

Caiu-te um dente e foi o caos. Nem fada, nem prenda, nem coisa nenhuma. Estavas inconsolável. Não sei o que pensaste mas eu pensei que era o fim. Quando os dentes começam a cair é altura de reconhecermos que os filhos estão mesmo a crescer e não há como parar. É horrível. Mas tu podias chorar, eu não. Foi o único. Tens mais dois ou três dentes a abanar, que hão-de cair mas há de ser de tédio, porque mal lhes tocas ou deixas tocar.

Deixaste a tua escola de bebé e foste para a escola das letras, levaste só dois amigos. Ia-mos as duas com o coração nas mãos, mas seguraste as lágrimas com a tua coragem de leão, e eu não te quis deixar ficar mal e por isso acabei com a garganta cheia de nós de tantas lágrimas que engoli. Sabes, o coração da mãe não está nunca preparado para isto, mas faz parte e tem mesmo de ser. Mesmo com medo.

És responsável com os teus trabalhos de casa embora nem sempre os faças com grande vontade.

Continuas a ser a irmã do meio, e ganhas muito com isso. Às vezes brincas com a mais velha, às vezes com a mais nova. Tens o melhor dos dois mundos. Naturalmente a gestão de conflitos não é o teu forte, e se a Sofia te bate tu respondes, o que nos enlouquece.

Continuas a ter aquela relação com a comida e as nossas refeições são marcadas por ti. É raro o dia, e a refeição, em que não temos de nos chatear contigo. Já é a tua imagem de marca.

Quem diria, Teté Jubita, que mesmo sem sopa havias de crescer tanto!

Continuas mais reservada do que as tuas irmãs. Ganhas pelo que observas e nada te escapa. Tens o teu ritmo e respeitá-lo é para nós fundamental.

És preguiçosa no sentido de que não gostas de fazer coisas que dão muito trabalho. Nunca pintas a cara em festas porque dá muito trabalho a limpar, não te aventuras em projetos e grandes coisas porque dá muito trabalho, mas em compensação fazes a tua cama quase todos os dias sem ser preciso dizer nada. E numa casa onde não fazer a cama é principio, deixas-me muitas vezes envergonhada e a pensar que deves ter herdado os genes da tua avó bisa, ou isso ou é mais do Karma para me perseguir!

Estás na fase da Patrulha Pata e a tua sorte é que são bem menos irritantes do que as Violetas e afins com que a Mafalda delira.

Não és nada medricas com os bichos mas este ano desenvolveste uma obsessão com as alforrecas que me tirou do sério. Em contrapartida és a companhia ideal para passear na praia e apanhar conchas: nunca te cansas de andar!

Foi um ano de muitas mudanças para ti e para mim mas é bom ver-te a voar!

A mais um ano de conquistas!

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