3 anos de Teresa

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Chegada aos 3 anos continuas a ser a caixinha de surpresas que sempre foste. É bom ver-te crescer e é bom aprender-te a cada dia em tu te conheces um bocadinho mais.

Foi um ano dificil para nós. E tenho para mim que contigo será sempre tudo diferente. Embora tenhas já vencido grande parte da tua relação com a comida continuas a ser muito seletiva. Ainda assim estás longe de ser o que já foste e por isso podemos respirar de alivio.

Este ano, de um momento para o outro e sem pré aviso ou explicação aparente rejeitaste a escola. Entraste numa fase de intorelância e deixaste-me com o coração nas mãos e do tamanho da cabeça de um alfinete. Foi horrivel. Mesmo. Foi tão mau que houve um dia em que não aguentei mais, em que saí da tua escola depois de te lá deixar num estado de descontrolo total, depois de teres feito xi-xi em cima de mim enquanto estavas ao meu colo, depois de ter contrariado todos os meus instintos de mãe, e assim que cheguei ao carro também eu chorei. Descontrolada. E vim assim até casa, e liguei ao teu pai e disse-lhe que para mim não dava mais. Cumpri a minha promessa e para tua sorte as férias começaram pouco depois e pudeste ficar com os teus avós até Setembro.

E foi mesmo disso que precisaste. Deixaste de usar fralda e deixaste de usar chucha. E cresceste tanto! Mas menos do que querias, porque a dada altura nas férias achaste-te capaz de ir sozinha para a piscina, e foi dificil fazer-te perceber o que aconteceria se o fizesses. Ainda assim conquistaste o direito de flutuar sozinha, suspensa nas tuas braçadeiras, sem que ninguém te segurasse, e era preciso estar lá para ver o teu ar de satisfação e de confiança, como o de quem se prepara para tomar o mundo de um só assalto.

A tua arma é o teu sorriso. Estou certa que quando cresceres não te vai faltar quem por esse sorriso se encante. A mim conquistas-me todos os dias. Podia tentar por por palavras esse sorriso e a forma como tudo em ti se ilumina quando sorris mas não faria sentido senão para quem já o viu. Mas sempre foste assim, desde o primeiro sorriso, como se mil lâmpadas se acendessem à tua volta quando sorris.

Tens uma linguagem não verbal fascinante e divertida. Tenho dias em que quase acredito que és um cartoon saído diretamente do meu caldeirão das ideias. És tão engraçada que me deixas sem jeito quando é preciso ser firme ou ralhar.

Falas muito e ainda estás naquela fase de dizer coisas engraçadas como as pingas dos olhos quando te referes a lágrimas, entre outros disparates. Desenvolveste um ódio de estimação com as cinôias (cenouras) e por incrível que pareça gostas de iscas, de pasteis de bacalhau e de favas.

Por alguma razão que eu desconheço gostas de me ouvir cantar, e passamos horas a cantar sempre as mesmas músicas. Tens uma obsessão pela Minnie e pelo Mickey e continuas a gostar muito de brincar com carros.

Este é o teu primeiro ano no jardim de infância e a transição, ao contrário do que eu esperava, foi-te ligeira. Estás orgulhosa por seres crescida e por já não ires para a escola dos bebés. E tens lá o teu Fred. Agora todo o teu dia se resume ao Fred e devo dizer-te que conseguiste deixar o teu pai preocupado e ciumento logo ao fim de 3 anos. Parece-me que vamos ter três adolescências difíceis com um “pai tirano” por casa!

Gostas de fazer comigo uma brincadeira em que me pedes para sorrir enquanto finges que me tiras um retrato. Dizes-me sempre que fiquei linda. Um dia vais entender a importância destes momentos que guardarei para sempre em mim. É tão difícil lembrar de sorrir… Tudo sempre a correr, o tempo sempre a passar e tu, meu pinguim és a minha jóia que me lembra que viver também é sorrir.

Ganhaste mais uma irmã este ano e ao contrário do que toda a gente esperava reagiste bem. Tens muita curiosidade em relação a ela, mas como ela passa muito tempo a dormir quase que nem dás por ela. Gostas de a ver de olhos abertos e insistes em tapá-la como se fosse um dos teus bonecos. Gostas de lhe pegar ao colo, e por alguma razão que ainda não apanhei a tua voz acalma a Sofia e o teu choro deixa-a nervosa.

Já a Mafalda é a tua estrela polar. Se a Mafalda está de castigo tu ficas ao seu lado o tempo todo, mesmo se o castigo começou com qualquer discussão vossa que acabou mal. Basta que eu ralhe com uma das duas para vocês se unirem novamente. E é assim que deve ser. Gostas de dormir na cama dela, e a maior parte das vezes é lá que procuras aconchego quando acordas mais cedo que que precisas e ainda toda a gente dorme.

Este foi também o ano em que descobriste o aconchego dos avós e perdeste o medo de nos deixares. É bom ver-te a querer estar com eles. A querer dormir lá ao fim de semana. É bom ver-te a construir essa relação sólida e tão fundamental.

Não és uma criança tímida mas também não te dás de mão beijada. Há uma certa ponderação nas coisas que fazes, mesmo nos disparates. Não tens medo de animais nenhuns e por tua vontade deitavas a mão a tudo o que mexe. É talvez uma das poucas coisas em que sais a mim, em quase tudo o resto és o legado do teu pai.

Este ano és o meu pinguim, e demoramos alguns meses até decidirmos que assim seria.

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0 Responses to 3 anos de Teresa

  1. Xana says:

    Sabes o que é engraçado? Este texto podis ser sobre a Mariana, sem tirar nem pôr, se não fosse o facto de ela ter sido sempre comilona e boa boca. De resto são tão iguais que é inacreditável!

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