COMO FAZER UM QUILT

Passo a passo e uma coisa de cada vez, vou-te mostrar como fazer um quilt (palavra inglesa que traduz a manta de retalhos). Nota que esta é a minha forma de fazer o que não significa que seja a única ou mesmo a mais correta. É a minha, é simples e produz excelentes resultados!

Para simplificar, vou usar o termo Quilt em alternativa a manta de retalhos. Comecemos pelo principio!

Como fazer um quilt?

Um quilt é constituido por 4 partes, ou para ser mais correta 3 partes e meia!

A primeira parte é uma das que dá mais gozo a fazer: o quilt top ou a parte de cima do quilt. É onde estão os retalhos de tecido e onde podemos brincar com as formas, cores e os padrões dos tecidos e deixar a criatividade correr livremente!

A segunda parte é o enchimento que corresponde ao meio do quilt, é o que dá consistência ao quilt e o transforma numa manta aconchegante.

A terceira parte é o backing ou a parte de trás do quilt. Pode ser uma só peça do mesmo tecido ou pode ser igualmente constituída por várias combinações de tecidos e formas. Eu gosto dos meus só de uma peça, mas é uma questão de gosto pessoal.

A meia parte que falta, ou se quiseres, a parte inteira que falta, é o binding ou o viés (também chamado debrum) que se põe a toda a volta e que remata as três camadas do quilt e lhe dá o acabamento.

Para começar:

É preciso escolher o esquema do quilt, e os tecidos, cores e padrões que vais usar. Podes usar um modelo de alguém, um modelo tradicional ou podes criar o teu próprio esquema. Se desenhares o teu modelo não te esqueças que deves desenhá-lo e pensar bem nas medidas que cada peça deve ter. Não te esqueças também que precisas de considerar a medida das margens de costura que vais usar!

Materiais necessários para fazer um quilt

Depois de escolheres o quilt convém reunires o material todo que precisas, os tecidos para o quil top, o tecido para a parte de trás, que deve ter pelo menos mais 2cm em toda a volta que o quil top, o enchimento, tudo nas quantidades necessários para o tamanho do teu quilt.

É também comum usar-se uma base de corte, uma régua e um cortador rotativo. Não é fundamental mas facilita muito a fase de corte, especialmente se o teu quilt tiver muitas peças. É uma forma de não perderes tempo 🙂

Depois de reunires tudo podes avançar para a fase de corte. Para mim é sempre mais fácil cortar logo tudo de inicio e ficar despachada!

Fazer o Quilt Top

Com todas as partes prontas é altura de ir até à máquina de costura, juntar as partes e coser. Eu gosto de usar a técnica da costura em cadeia porque me permite fazer as coisas mais depressa. E o que é isto da técnica da costura em cadeia? Bem é preparar todos as peças que podem ser cosidas numa primeira fase e sem dependerem de outras, e cosê-las sem interrupções, umas a seguir às outras sem nunca cortar a linha mas deixando um pequeno espaço entre elas. No fim ficas com uma cadeia de peças cosidas e só tens de cortar o fio e passar à fase seguinte!

como fazer um quilt top

Deves utilizar SEMPRE a mesma margem de costura. É muito usual considerar 1/4 de polegada como margem, sobretudo se estiveres a trabalhar com modelos ingleses ou americanos. Se achas que vais querer fazer mais quilts recomendo mesmo muito que compres um calçador para a tua máquina com a regulação de 1/4′.

Mas há alternativas simplicistas: marcares na tua máquina (no sitio onde o tecido passa) a distância que deves considerar como guia para obteres a costura desta dimensão ou marcares com um lápis de carvão mole, no avesso de cada peça, a margem correspondente a 1/4′ e coses por cima da linha que traçaste.

Faz o que poderes para garantires que as tuas costuras obedecem sempre à mesma margem. Podes pensar que 1mm não se vai ver, e num trabalho normal não se veria. Mas um quilt é feito de dezenas de peças cosidas e se cada costura tiver 1mm de desvio em relação à margem de costura prevista, no final as partes vão ficar com as costuras verdadeiramente desalinhadas. Basta pensares que se o teu quilt tiver uma barra de 10 quadrados e falhares 1mm em cada costura, no final vais ter quase um centímetro a menos nessa barra do que devias inicialmente ter. Experimenta coser uma barra a outra quando uma delas tem quase 1 cm a menos!

E perguntas tu: as costuras saem-me direito à primeira? Claro que não. Muitas vezes até me parece que estão bem feitas e que o desvio foi mesmo pequenino pequenino, até ter que alinhar estas costuras com outras e ver que estão completamente desalinhadas.

Posso ignorar uma costura desalinhada? Podes, se gostares de ver todas as outras costuras desalinhadas. A sério, se o teu objetivo é teres um quilt para te orgulhares então vale a pena o esforço de teres tudo alinhadinho. Vais ver que compensa o trabalho. Recomendo que tenhas um desfazedor de costuras, ou uma daquelas peças de fazer casas de botão. Vai dar muito jeito para desfazer as costuras que precisam de ser corrigidas.

Mas não exageres! Há uma diferença entre um resultado muito próximo do perfeito e costuras com precisão milimétrica! Quando falo de perfeito é aquele imperfeito que não compromete o resultado final porque não há costuras perfeitas!

É preciso coser o quilt top à maquina?

Não, claro que não. Podes coser as peças à mão, bocadinho por bocadinho. É claro que demora mais tempo mas o resultado fica um charme! E eu sou defensora da costura à mão, é muito útil para aquelas alturas em que precisas de um projeto “portátil” e um saquinho com os tecidos cortados, uma agulha e linha, e uma tesoura não ocupam espaço nenhum e são bons de levar para todo o lado!

A fase seguinte é um bocado chata, tenho de confessar. E é nada mais nada menos do que vincar as costuras com o ferro de engomar. Por isso tento ter sempre o máximo de peças prontas para serem vincadas, porque senão passo a vida a caminho da tábua de engomar. E perguntam vocês: podemos passar esta fase? É claro que não! Porque vincar as costuras é fundamental para terem formas geométricas perfeitas e alinhadas e ao vincarem tudo bem vincadinho vão fazer com que as costuras que se vão cruzar com estas fiquem igualmente alinhadas e perfeitas. A diferença entre uma peça vincada e uma por vincar é enorme. E o quilt que obtens no final também!

E não te esqueças que as dobras são sempre feitas para cima do tecido mais escuro. Porquê? Porque se vincares para cima dos tecidos mais claros as costuras vão fazer sombra do lado direito, ora se queres que o teu trabalho compense, vais querer mesmo chegar ao fim com um quilt top do qual te orgulhes!

O quilt top fica acabado assim que tiveres cosido todas as peças umas nas outras e claro vincado as respetivas costuras.

Com o quilt top pronto, e bem engomadinho, podemos passar à fase seguinte, que é nada mais, nada menos do que fazer uma sandwish. Não estou a brincar não, e já vais ver porquê.

Esta é também a altura de recuperares o tecido para o teu backing (ou trabalhares as peças se estás a fazer um backing mais complexo). Eu prefiro ver as costas dos quilts só com um tecido porque gosto mais do efeito do acolchoado no fim, mas é uma questão de gosto. E convém não esquecer que as costas devem ter mais 2cm (para cada lado) do que o quilt top, deve ser bem engomado para tirar os vincos.

A seguir vais precisar de uma superficie direita e limpa. Dependendo do tamanho do teu quilt podes usar uma mesa, mas na maior parte das vezes o mais eficiente é o chão, porque é suficientemente amplo para poderes estender tudo à vontade.

Pega no teu backing e estende-o na tua superficie. Para ajudar a mantê-lo no lugar cola-o com fita cola, daquela de fechar caixotes. Estica tudo bem esticadinho para evitar que fiquem algumas pregas que depois comprometam o resultado do trabalho.

Depois de teres o tecido do backing pronto, corta o enchimento com mais 1cm do que o quilt top. Podes encontrar o enchimento nas lojas que vendem materiais especificos para patchwork e quilting. Eu prefiro usar baeta de algodão, um têxtil tradicional português com múltiplos usos e que é uma espécie de flanela grossa, muito macia e quente.

Sobrepõe o teu enchimento por cima do backing e alinha-o o melhor que poderes. Cola-o com fita cola como fizeste no anterior.

Agora é a vez do quilt top. Alinha-o com os restante e cola-o para que fique esticado e com o menor numero de pregas possível. E a sandwish está pronta!

Para o passo seguinte vais precisar de alfinetes de ama. Muitos alfinetes de ama!

Para terminar esta fase vais prender muitos alfinetes espalhados por todo o quilt para segurares as três peças juntas. Tens de ter muito cuidado com as pregas que se possam formar do lado de baixo e para isso deves colocar os alfinetes de maneira a não torceres demasiado as camadas. Vale a pena perderes aqui algum tempo porque te vai facilitar a vida quando estiveres a acolchoar.

O quilt está quase pronto para acolchoar. A partir daqui e até chegar novamente à máquina de costura, ou se fores acolchoar à mão até chegar ao bastidor, deves ter muito cuidado na forma como lhe mexes para que tudo se mantenha no seu lugar.

Acolchoar o quilt à mão ou à maquina?

O acolchoamento poder ser feito à mão ou à máquina, é uma escolha pessoal. Se os quilts forem muito grandes podem tornar-se difíceis de acolchoar na máquina, mas serão sempre mais demorados de acolchoar à mão. O motivo que escolhes para o acolchoamento também pode ajudar a decidir. Se escolheres motivos com muitas linhas curvas pode ser difícil conseguires um resultado limpo na máquina de costura.

O motivo do acolchoamento também pode ser variado e é geralmente coordenado com o motivo do quilt top. Pode ser um motivo geométrico a acompanhar o padrão geométrico do quilt top.

acolchoado geométrico

Pode ser floral ou acompanhar um motivo central. Neste quilt o acolchoamento foi feito à mão em volta da boneca e das flores e no restante espaço o acolchoado é constituído por flores simples ligadas por linhas simples.

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Neste quilt, o acolchoamento foi feito à máquina com motivos combinados: ao centro um conjunto de linhas equidistantes a contornar o motivo central.

Nas barras laterais padrões geométricos a acompanhar os motivos dos quadrados log cabin e pinwheel, e na barra lateral linhas simples nas cores dominantes do quilt.

No meu Squezze my Square o motivo do acolchoamento é igualmente geométrico e acompanha as costuras dos quadrados, uma por dentro e outra por fora, o que faz com que existam mais umas quantas dezenas de quadrados e retangulos no quilt, para além dos de pano!

acolchoado em grelha

Quando o acolchoamento é feito à máquina é costume usar um pé calçador especial chamado de walking foot. Este pé tem um conjunto de dentes que puxam o tecido pelo lado de cima, ao mesmo tempo que os dentes da tua máquina puxam pelo lado de baixo. E isto permite que as 3 camadas de tecido sejam puxadas ao mesmo ritmo. Se usares o teu pé normal vais reparar que o lado de baixo fica mais perfeito e a camada de cima vai atrasando, o que acaba por provocar pregas que deixam o quilt menos perfeito. Num quilt pequeno poderá não fazer muita diferença mas num quilt grande vais ver que faz muita diferença. O walking foot é também útil quando precisas de coser tecidos mais grossos ou pesados como a ganga, por isso não é um investimento perdido!

walking foot

Para quem quer experimentar fazer um quilt, comprar um walking foot pode ser um investimento pouco oportuno, por isso podes sempre usar o calçador normal da máquina mas para obteres um resultado melhor deves reduzir a tensão da linha (vais ter de fazer vários testes até encontrares a tensão certa) e usar o comprimento do ponto máximo. E cose devagar para conseguires uma distribuição uniforme do tecido e antecipares a formação das rugas.

Para acolchoar à máquina convém usar uma agulha mais grossa (eu uso a 90) especialmente se acolchoares com linha de acolchoar. A linha de acolchoar é tipicamente de algodão e ligeiramente mais grossa do que a linha de coser. Mas também é possivel acolchoar sem utilizar estas linhas próprias. A linha de coser torna as costuras do acolchoamento mais finas e discretas do que a linha de acolchoar.

linhas de acolchoar

Para acolchoar à mão qualquer agulha serve, embora seja aconselhado usar umas agulhas pequeninas, que ajudam a acertar o tamanho e o espaço entre os pontos.

Depois de teres a máquina preparada (agulhas, calçadores e linhas) está na hora de começar a coser. Quando os quilts são grandes manda a regra que se enrolem as extremidades. Para quê? Para reduzir a extensão do quilt e com isso torná-lo mais fácil de ser puxado pela máquina. Teres os rolos laterais ajuda-te também a ter onde agarrar o quilt e consegues direcionar melhor as tuas costuras.

acolchoar um quilt à maquina

No fim do teu padrão de acolchoamento vais ter várias pontas que precisam de ser rematadas. O processo é simples, com uma agulha enfia o fio por baixo da primeira camada de tecido e envolve a agulha várias vezes no enchimento, somo se estivesses a coser no enchimento. Depois puxa a agulha para a superfície e corta o fio que sobra. o teu fio fica envolvido no enchimento e fica preso.

Fazer e Aplicar a fita de viés

Depois de tudo acolchoado já só falta o viés. Num quilt o viés usado é sempre feito com tecidos porque o viés comprado é mais rígido e tem tendência a encolher e não se comporta da mesma maneira que o viés feito de tecido.

O viés pode ser liso ou estampado, às riscas ou com outros padrões, pode até ser feito de restos de tecidos como este:

viés de retalhos

Fazer o viés não é dificil. Para começar, hà que decidir qual a largura de viés que se quer usar. Podes optar por um viés mais fino ou mais largo. Normalmente eu uso o viés com 1,5cm. Depois é multiplicar esse valor por 4 e cortar tiras de tecido dessa largura. No meu caso para fazer o viés cortei tiras de tecido com 4 X 1.5cm = 6cm.

A regra manda que se corte o tecido em tiras diagonais no tecido, mas sinceramente isso dificulta muito o processo, torna-o mais demorado e não se traduz na melhoria da qualidade final do quilt. Por isso podes cortar a direito. Eu até corto com o tecido dobrado para caber na mesa de corte. Aqui, um desvio de milimetros não vai fazer diferença porque o viés vai ser dobrado.

Para determinar o comprimento de viés que é necessário basta medir os lados do quilt e somá-los e acrescentar mais 20 cm para os cantos e para os remates.

Depois de cortar o comprimento suficiente de viés, é necessário cortar as extermidades de cada tira de tecido para formar angulos de 45º. É sobre estes ângulos que vão ser feitas as costuras que vão juntar as tiras todas e formar uma só tira de viés.

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O passo seguinte requer atenção, mas não te preocupes se tiveres de desmanchar as costuras umas quantas vezes. O objectivo é alinhar duas extremidades de duas tiras diferentes de forma a ficarem como estão na imagem. Desta forma, depois de cosidas, as duas extremidades ficam perfeitamente alinhadas. Repete até todas as tiras estarem ligadas umas às outras.

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Vamos agora vincar o viés. Existe uma ferramenta que ajuda a fazer viés, mas não é obrigatório tê-la para fazer um viés perfeito.

Se usares a ferramenta, tudo o que tens de fazer é introduzir uma das extremidades do viés e puxar até sair do outro lado. A ferramenta dobra naturalmente o tecido formando as dobras que necessitamos. Enquanto se vinca com o ferro desliza-se a ferramenta no tecido até a totalidade do viés estar vincado. Para o quilt o viés não precisa de estar vincado na dobra do meio. Basta assim.

Para quem não tem a ferramenta o processo pode ser mais lento. Começa por vincar a dobra do meio no sentido do comprimento. Depois com a fita aberta vinca as duas dobras que se formam quando viras as pontas até ao meio da fita.

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Com o viés pronto está na altura de acertar as extremidades do quilt cortando o que está a mais.

acertar o quilt

Do lado direito do quilt prende-se o viés ao quilt com alfinetes. O viés é preso de forma a que a extremidade do viés aberto coincida com a extremidade do quilt.

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Para o remate final ser perfeito, depois de todo o viés estar preso no quilt, corta o que fica a mais em ângulos de 45º e cose da mesma forma que coseste as tiras de tecido. Isto vai fazer com que não se perceba onde começa e onde acaba o viés.

remate do viés do quilt

O viés é então cosido no quilt e a costura deve ser feita quase em cima da dobra primeira dobra do viés. A dobra do meio é a que vai ficar no limite do quilt.

coser o viés no quilt

Depois de cosido na totalidade do lado direito é preciso coser do lado de trás do quilt. Vira o viés e alinha a dobra do meio pela costura que já fizeste, de forma a que a costura que vais fazer no lado de trás se sobreponha à que já existe do lado da frente. O viés é cosido à mão nas costas do quilt com pontos pequenos em toda a sua extensão, sempre por cima da costura que lá está se sem passar para o lado direito do quilt! Assim não se vai ver um único ponto.

coser o viés à mão

Esta é uma das melhores partes de fazer um quilt! Está quase quase pronto e podes levá-lo contigo para o sofá e enquanto o acabas vês um bom filme! E quando o acabares podes sempre aproveitar para te enroscares nele!

Também podes acabar de coser o viés à máquina mas vais ter de ter o cuidado de manter alinhado o direito com o avesso ou podes vir a ter pontos irregulares no viés.

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E é tão simples quanto isto!

Agora que já sabes como fazer um quilt põe mãos à obra! E porque não começar com um quilt bem pequenino para oferecer a uma princesa?

quilt para bonecas

E podes imprimir as minhas dicas para te acompanhar no processo! Usa o botão abaixo e já sabes, se precisares de mim, estou aqui deste lado!

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