Crochet Moderno

O Croché foi das poucas coisas que a minha avó teve paciência para me ensinar e o que sempre gostei no crochet foi o conseguir perceber a cada momento o que tinha de fazer para obter determinado resultado.

Sempre achei que era versátil e facilmente ajustável a cada necessidade, para além de ser muito rápido e poder ser feito tanto com lã como com linha, e até com outros materiais como as fitas de tecido, os plásticos e afins.

Mas durante muito anos o crochet foi para mim mantas de lã e naperons para todas as divisões da casa, da cozinha ao quarto, passando por todos os móveis, mesas e mesinhas que ficassem pelo caminho. Em casa dos meus pais os naperons era mudados religiosamente todas as 6ª feiras, tal como os lençóis das camas!

E a minha avó tinha sempre um trabalho de crochet no saco, que fazia nas horas de ócio em que se permitia sentar em frente à televisão. Por causa dela tenho um saco cheio de naperons, em conjuntos muito aprimorados e cuidadosamente estudados para cada divisão, que nunca uso mas que sou totalmente incapaz de me desfazer deles.

Mas nos nossos dias o crochet é mais do que isso, e é nesta descoberta que eu tenho andado entretida desde o inicio do ano.

Estas fotos foram tiradas em Constância em Maio deste ano e deixaram-me rendida ao encanto da cor. A iniciativa parte de um projeto social de combate à solidão e o trabalho foi feito por quem se quis juntar à iniciativa.

Constança_2014_1 Constança_2014_2 - Cópia    Constança_2014_3

E sabes que mais? Adorava ter um barco “vestido” assim! E fiquei totalmente rendida às cores e a este novo crochet. Afinal há mais no crochet do que naperons!

Máquina de Tricotar

máquina de tricotar 1

Já a tenho à 5 anos. Comprei-a numa das alturas em que todas as minhas estrelas se alinharam e num feliz acaso, surgido quase do nada, encontrei alguém que me quis vender exactamente o que eu queria comprar: uma máquina de tricotar!

Na altura a Mafalda ainda não tinha um ano e eu estava na minha ascenção de aprendizagem e na minha fúria de querer fazer de tudo um pouco. Estava sedenta de aprender tudo o que pudesse criar com a minha mente e executar com as minhas mãos, e cheia de determinação de experimentar coisas novas.

Foi um bocado como comprar um carro sem saber conduzir, e na verdade continua a ser assim. Mas em relação ao tricot, verdade seja dita, sempre foi das coisas que menos gozo me deu fazer, por me parecer que demora sempre tanto tempo e exige sempre tanta atenção! Por isso encalhei na ideia da máquina, achei que seria mais divertido e sobretudo mais rápido.

Até porque umas das minhas recordações de infância é precisamente ver uma prima da minha mãe a tricotar numa máquina, com uma rapidez incrível. Mas nesse tempo a Singer ainda era a Singer e quando se comprava uma máquina comprava-se também as aulas para aprender a usá-la. É pena mas esses dias acabaram.

E foi assim que hà 5 anos atrás tentei por a máquina a trabalhar, e mesmo lendo e relendo as instruções, e fazendo passo por passo cada instrução, nunca consegui mais do que uma grande emaranhado de lã nas agulhas. Claro que ter uma criança tão pequena não facilitou em nada a minha dedicação à resolução destes problemas. E nessa altura não havia informação quase nenhuma na internet que me ajudasse a trabalhar com a máquina. Estavamos em 2008 e é fantástico o quanto as coisas mudaram. Hoje hà centenas de videos no youtube!

Moral da história: a máquina acabou arrumada dentro das caixas e posta de parte até um futuro com horas mais cheias de tempo.

Mas depois aconteceu ISTO e fiquei cheia de vontade de voltar a montá-la! E tive uma sorte porque a Filipa é uma querida e disponibilizou-se para me ajudar a perceber a mecânica da coisa e dar-me umas dicas para começar.

E o vida tem mesmo destas coisas, o que eu não conseguia fazer e que me impedia de começar os trabalhos, a Filipa ensinou-me com um atalho e com uns vídeos no youtube passou a ser tão fácil e rápido como comer uma bolacha!

O que quer dizer que por esta altura já sei acelerar e travar o meu “carro” mas ainda me falta tanto, mas tanto para aprender! Até porque a máquina tem imensos suplementos e acessórios para trabalhos especiais que fazem coisas lindas!

Agora que a minha máquina de tricotar está finalmente operacional não se admirem se no Natal vos calhar de prenda um cachecol!

máquina de tricotar 2

Manta de bebé em crochet

Quando estava grávida da Mafalda fiz-lhe uma manta de crochet em lã, porque ela seria um bebé de inverno.

Quando estava grávida da Teresa fiz-lhe um Quilt, porque no tempo que passou entre uma e outra aprendi a fazer quilts e já tinha feito quilts para outros bebés e queria mesmo fazer um quilt para ela.

Agora que estou novamente grávida as mãos puxaram novamente para o crochet, mas desta vez vou ter um bebé de verão e por isso em vez de lã a manta foi feita em algodão.

Zig zag crochet blanket 1

O modelo é simples de fazer e consegues facilmente encontrar tutoriais gratuitos na internet. Escolhi fazer uma manta corrida e resisti à tentação de fazer uma manta em granny squares ou numa qualquer variação do tema, porque sabia que me levaria muito mais tempo e que juntar as peças todas acabaria por ser um trabalho que me ocuparia tempo que não tenho. Sendo assim este modelo provou ser uma boa escolha porque num instantinho ficou feito.

Zig zag crochet blanket 2

A cercadura da manta é muito simples e continua a ser a minha preferida para terminar mantas em crochet, duas ou três carreiras em ponto baixo, de cores diferentes e é quanto basta.

Zig zag crochet blanket 4

Esta é uma alternativa muito fácil e rápida para uma manta de bebé. Podes usar as cores que quiseres e quantas quiseres. Eu usei 6 cores: branco, amarelo, rosa, lilás, cinzento e roxo. Mas a manta resulta com qualquer combinação de cores que faças.

Zig zag crochet blanket 3

E claro, também é optimo para fazeres uma manta de sofá e dares uso a todos os bocadinhos de lãs que tenha por aí à solta. Para mim este é mais um projeto para a minha lista de afazeres!

Saia em Crochet

Na mitologia grega a Penélope era a mulher do Ulisses que foi para a guerra de Tróia e esteve ausente 20 anos. Como a ausência de Ulisses se prolongava, o pai de penélope deu-o como morto e quis que a filha voltasse a casar contudo a Penélope acreditava que Ulisses voltaria, e encontrou uma maneira de simultâneamente satisfazer o seu interesse e o do seu pai. Penélope combinou com o Pai que só voltaria a casar quando terminasse de tecer um sudário para oferecer ao pai de Ulisses, e para prolongar ao máximo o seu tempo Penélope tecia durante o dia aos olhos de todos, e desmanchava o que tinha feito durante a noite!

Às vezes tenho trabalhos que me fazem lembrar a Penélope e a sua manta, que faço e desmancho, faço e desmancho, e que de tanto fazer e desfazer parece que levam toda a eternidade a ficarem feitos!

Como esta saia que me apaixonou assim que a vi numa revista italiana que me custou uma fortuna! Embora as lãs não sejam as mesmas o tamanho da agulha é o mesmo, o que deveria dar um acabamento semelhante. Mas qual quê!

Segui as instruções até me fartar de desmanchar e resolvi fazê-la a olho.

Há aqueles projetos que dão gozo acabar e depois há aqueles projetos que quando estão acabados nos fazem sentir mais leves e levemente aliviadas.

Foi desde o inicio um desafio e só a certeza de que ia valer a pena ver o resultado final me fez continuar. Desmachei e recomecei tantas vezes que lhe perdi a conta e várias vezes foi dada como pronta, mas depois houve sempre qualquer coisa que me fez voltar atrás e refazer. Acabou por não correr muito mal, afinal de contas foi feita em pouco mais de 6 meses!

Para agora ainda está um bocadinho grande mas é uma saia de verão e até lá estou mais do que certa que a Mafalda cresce o suficiente para a saia lhe servir na perfeição.

Não me sobrou vontade de fazer outra para a Teresa até porque adaptar novamente as medidas para uma saia mais pequena ia ser outro desafio, e de qualquer forma será inevitável que a Teresa quando chegar à idade da Mafalda acabe por a vestir também! Em vez disso resolvi aproveitar o algodão que sobrou para outro projeto de verão que tenho a certeza que vai fazer as delicias das pequenotas da familia. Mas isso é para outro dia!