Dia da Espiga

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Não costuma falhar. Quinta feira de espiga foi ontem e neste dia, depois das aulas vamos apanhar flores para o nosso ramo de espigas. Manda a tradição que sejam flores do campo símbolo da simplicidade, da alegria e da fecundidade e, claro, espigas que simbolizam os pertences. Manda a tradição que se guarde o ramo pendurado na chaminé, de um ano para o outro, para que nada falte em casa. Como não temos chaminé os nossos ficam à janela.

Foi assim toda a minha infância e faço questão que seja assim na infância delas, não por superstição mas para manter viva uma tradição, para termos uma boa desculpa para andarmos pelos campos a apanhar flores e para virmos para casa fazer raminhos. Ainda tenho guardados raminhos de outros anos e alguns deles vieram da casa antiga para esta, um dia terei de me desfazer deles, mas por agora ainda vou achando graça ao contraste das flores secas com as novas e ao ramo que cresce na minha janela.

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9 meses de Sofia

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O tempo voa e já fizeste 9 meses. Das 3 és a única que não me faz ter pressa de ver esta fase passada. És um bebé delicioso e fácil. És bem disposta e de sorriso fácil, comes bem sem dramas nem fitas e dormes como um anjo. Engana-te quem te disser que o terceiro filho nada tem a ensinar. Tens sido uma lição de vida, das boas, daquelas que são doces de aprender.

Porque afinal a maternidade também pode ser quase indolor e quase fácil. Isto ensinaste-me tu. Um bebé pode só precisar de comida e mimo e fralda limpa para ser feliz, como tu. O que mais me espanta em ti é a forma como adormeces sozinha, sem de nós precisares. Baste que chegue a tua hora e a cama é toda tua, nada de colos nem embalos, só a tua cama.

Por teres sido sempre assim eu e o teu pai não tivemos de aderir ao Co-sleeping, que é uma forma bonita de te por a dormir no meio de nós. Tal como fizemos com as tuas irmãs que por lá ficaram até aos 2 anos. Mas às vezes tenho pena de não te ter mais perto de mim para te poder sentir durante mais tempo o calor e o cheiro.

És muito observadora e com duas irmãs mais velhas tens muito para estudar. Gostas de cantar e palrar e tem alturas que parece que estás dentro de uma ópera a cantar uma ária.

Gostas de mexer nas coisas e de as sentir. Intriga-te a areia e a relva que gostas bem de sentir nas tuas mãos.

Já chamas por nós e as tuas vocalizações vão ganhando novos significados a cada dia que passa.

Não tens um só dente. Tal como a tua irmã Teresa só os deves começar a ter depois de fazeres um ano e vamos a ver se também nascem de forma aleatória como os dela.

Tens umas bochechas deliciosas o que faz com que todos lá em casa tas encham de beijinhos. Gostas de cavalices, gostas que te ponham de pernas para o ar e te atirem ao ar. Adoras que dancem contigo ao colo e continuas a gostar de me ouvir cantar, vai se lá saber porquê.

Não gosto mais de ti do que de qualquer uma das tuas irmãs mas, à semelhança delas, tenho por ti um amor diferente e especial. É daquelas coisas que só quando fores mãe dos teus filhos vais entender. E tal como elas ocupas em lugar especial no meu coração.

Chegaste sem aviso e na pior altura de sempre, e por isso eu e o teu pai tivemos de preparar a nossa vida para te receber. E se não fosse por isso talvez nunca tivéssemos chegado onde estamos agora. E por tudo isto tenho de te agradecer.

Fazes todo o sentido na minha vida.