Furar as Orelhas a Crianças

Ora aqui está um tema pouco consensual para variar. Hoje escrevo sobre orelhas e brincos, embora claro, não vá escrever nada que não tenho sido escrito já por alguém.

Como mulheres chegamos sempre aquele momento das nossas vidas em que queremos furar as orelhas e ter brincos para todas as ocasiões possíveis e imaginárias. Eu furei as minhas orelhas já estava na escola primária e foi iniciativa minha. Lembro-me de pedinchar e pedinchar à minha mãe até ela ceder. Lembro-me do lugar e do dia e da forma como me senti feliz e especial ostentando um par de brincos, que por sinal não era nada de especial.

E lembro-me que os dias que se seguiram foram horríveis, porque a minha mãe me limpava as orelhas com álcool e aquilo ardia, os brincos colavam-se às orelhas e descolar aquilo era um sufoco. Porém absolutamente necessário para poder, de futuro usar uma vasta colecção de brincos.

Por ter sido por minha vontade que furei as minhas orelhas, nunca me ocorreu fazê-lo de outra forma com as minhas filhas. Até porque tive uma amiga que nunca furou as orelhas por considerar um ritual bárbaro, e isso fez-me pensar.

Sempre achei que furar as orelhas deveria ser uma opção delas. E tenho-me mantido fiel ao meu principio.

A Mafalda tinha pouco mais de 3 anos quando começou a pedir para furar as orelhas, e claro que não acedi logo assim que ela começou a pedir. Fui medindo a insistência para determinar o grau de vontade. E por altura da Páscoa lá fomos furar as orelhas.

Com a Teresa passou-se o mesmo. Engraçado é que tiveram as duas o mesmo timming, à mesma idade que a Mafalda tinha, a Teresa começou a pedir para furar as orelhas. E eu fui medindo até onde ela insistia par ver se estava ou não determinada a isso.

Até que o dia chegou.

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A experiência foi um pouco diferente da da Mafalda. A Mafalda furou as orelhas numa ourivesaria mas agora não vivemos ao pé de nenhuma e as que eu conhecia fecharam. As que procurei já não furam orelhas. Li que as farmácias e para-farmácias também faziam furação de orelhas mas nas proximidades da nossa casa parece que ninguém quer fazer isto. Por isso foi difícil até ter tropeçado na Claire’s, onde vou com alguma frequência comprar coisas para as miúdas. Apesar do catrapázio enorme na montra e das minhas frequentes visitas não retive o essencial da informação pelo que levei algum tempo até chegar a ela.

O que interessa é partilhar a experiência e esta, digo-vos honestamente, não podia ter corrido melhor. A começar nas regras de higiene que são exemplares: mãos desinfectadas com alcool à nossa frente, luvas descartáveis de látex postas à nossa frente, equipamento desinfectado à nossa frente, orelhas desinfectadas com alcool à nossa frente, e claro os kit’s dos brincos que vêm estéreis. Com a Mafalda não foi assim e talvez por isso as orelhas tenham sempre infectado e os brincos colado à orelha e tenha sido sempre terrível tratar e limpar as orelhas depois de furadas.

Depois há todo um protocolo que seguem onde explicam o que se deve e não deve fazer, e há um termo de responsabilidade que se assina depois de lido e de ouvir todas as explicações de quem faz a furação. Nesse documento fica o número do kit dos brincos que foi usado no caso de haver algum problema. Foi assim que percebi que com a Mafalda fiz asneira! Passo a explicar: a Mafalda furou uma das orelhas 3 vezes. Da primeira vez perdeu o brinco na natação, da segunda vez eu, com medo que ela o perdesse, apertei-o mais perto da orelha, para não fugir, o que, sei agora, foi asneira. O brinco ficou apertado e não deixou espaço para a orelha inchar (no processo natural de sarar) e por isso acabou por ficar a parte de trás do brinco cravada no lóbulo da orelha. Posto isto tive de tirar o brinco para tratar a ferida que ficou. Esta foi a 3ª vez, esperemos que a última! E se não me tivessem explicado isto a minha tendência era voltar a apertar os brincos para não cairem!

Há ainda a diferença principal, que é muito, mas mesmo muito relevante quando se é criança! É que na Claire’s as orelhas das crianças são furadas em simultâneo, ou seja há duas pessoas a furar as orelhas logo a dor é só uma. A parte difícil de furar as orelhas às crianças é convencê-las a aceitarem passar outra vez pelo mesmo processo depois de terem a memória viva e fresca do susto e da dor de furar a primeira orelha! Assim é muito melhor e mais rápido. Com a Mafalda foi difícil convencê-la da primeira vez, e ela não é nada maricas com a dor, mas ainda assim julguei que saia da ourivesaria só com uma orelha furada. Foi mesmo muito difícil convencê-la a furar a segunda por isso um lugar onde furam as orelhas em simultâneo é um descanso!

E o serviço inclui também um frasco de líquido de limpeza para tratar a orelha em casa, o que é óptimo. A verdade é que nem as orelhas da Mafalda infectaram desta vez. Perfeitas, perfeitas!

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Mas é claro que não há bela sem senão! É que não é barato. Nada barato. O serviço de furar as orelhas é grátis os brincos ou piercings (como eles lhe chamam) é que não são. Os brincos são comprados em separado e vão desde os 14,90€ (cada brinco) até aos 40€ (cada brinco). Mas vá que o serviço justifica o preço se não escolherem os brincos mais caros. E é rápido e elas esquecem depressa a dor e ainda trazes para casa o liquido para tratar as orelhas, por isso é até muito bom. E o melhor de tudo é não haver complicações depois, nada de orelhas infectadas nem fitas para as tratar.

E outra coisa que eu acho que não deves fazer é mentir às crianças (que moralista que eu sou!). É que furar as orelhas dói, dói mesmo. Não vale a pena tentares convencê-las do contrário porque só as vais desiludir e fazê-las sentirem-se confusas por sentirem dor quando a mãe disse que não doía. Tanto com a Mafalda como agora com a Teresa, o processo de decisão delas foi sempre baseado no principio de que furar as orelhas faz doer e muito. Mas que a dor passa rápido, logo logo a seguir, e por isso não faz mal chorar um bocadinho, porque dói de verdade. E foram também mentalizadas de que teriam de furar as duas orelhas, ou seja depois da primeira teriam de deixar furar a segunda, o que não foi preciso com a Teresa, mas foi o que resultou com a Mafalda porque se não fosse isso acho que tínhamos vindo só com uma orelha furada!

E se no fim houver um prémio de bom comportamento ainda melhor! A Teresa portou-se tão bem (só choramingou, nem lágrimas houve) que teve direito a andar no carro do Nodi!

Ideias para a Páscoa

Este ano não me apeteceu a Páscoa. Se não fosse pelas miúdas acho que tinha passado ao lado, mas a Mafalda insistiu em fazer prendas para a família e pouco a pouco lá me fui enchendo de vontade.

Depois de um longo período de indecisão sobre o que fazer elas acabaram por escolher um jogo de damas. Muito simples de fazer e rápido, e quase sem intervenção minha.

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Para o tabuleiro usamos pano cru, e os quadrados foram feitos com fita cola. Fiz de duas maneiras e acho que o trabalho que dá é o mesmo. A primeira maneira consiste em fazer uma grelha com a fita cola, usamos quadrados com quase 5 cm (a largura da Fita cola), depois pintar e deixar secar, retirar a fita cola e colar novamente por cima das quadriculas já pintadas para pintar o que falta da grelha. Este método obriga a fazer a pintura em duas vezes o que pode ser bom se for uma só criança a fazer para não se aborrecer tão depressa.

Na segunda maneira cola-se logo a fita cola toda no pano (7 linhas de fita cola) e com uma régua e um X-ato corta-se a fita cola em colunas perpendiculares e com a mesma largura. Nesta versão a mãe tem mais trabalho imediato porque tem que retirar quadrado sim quadrado não de fita cola para construir a grelha. Mas tem a grande vantagem de que o tabuleiro fica logo pronto a pintar e depois de seco é só tirar a fita que sobra e cortar a margem. Eu usei uma tesoura em zig-zag para não desfiar, mas podes usar cola branca, já que também a vais usar para as peças.

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Fizemos 4 jogos de damas e elas foram inteiramente responsáveis pela escolha das cores. Os tabuleiros são feitos com 7 colunas e 7 linhas.

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As peças podem ser feitas de muitas maneiras usando materiais que tens por casa. Desde as famosas cápsulas metálicas do café (as plásticas não dão para espalmar!), a rolhas cortadas em rodelas, a tampas de garrafas e garrafões plásticos, caricas… Nós usamos feltro e botões velhos e colamos os botões no feltro com cola branca. Cada jogador tem 12 peças, no total o jogo tem 24 peças de duas cores diferentes. Nós usamos cores diferentes nas peças mas escolhemos sempre botões brancos e botões azuis escuros ou pretos, para manter as peças brancas e pretas.

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Mas ainda faltava uma prenda que não quisemos que fosse o jogo de damas. E se achas que os desenhos das crianças não dão bons presentes estás muito enganada. Um desenho numa moldura ganha logo outro aspecto, e se mudares ligeiramente o material então fica ainda mais especial. Elas desenharam em pano cru, num rectângulo do tamanho da moldura que tinha destinado. Desenharam com canetas próprias para tecido da Giotto, que são fantásticas para estas coisas e que podes usar para outras actividades com elas.

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No fim do desenho pronto podes acrescentar outras decorações como botões, lantejoulas ou outras gracinhas, ou deixar tal como elas o fizeram e emoldurar. E ficas com uma prenda especial.

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As nossas prendas foram postas em cestinhos feitos com caixas de madeira pequenas (dos morangos que comprámos para o doce). Para além destas prendas os nossos cestos tinham ainda bolo de laranja, bolo de coco ou bolinhos de coco e limão, coelhinhos e ovos de chocolate e gomas que fizemos em casa.

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E desta vez foram elas que fizeram a minha Páscoa especial.

Chapéu de bébe

Quem, em pleno século XXI, anda nas andanças das agulhas, das linhas, dos panos e afins sabe que tem um rótulo que roça o ser desocupado e o não ter mais nada de interessante para fazer, um equivalente póas moderno da “dondoca dos bordados”.

Virtualmente conheço muitas pessoas como eu, na vida “real” poucas ou quase nenhuma, o que faz de mim um ser… estranho.

Houve alturas em que isso me fez confusão, mas para mim continua a ser fenomenal ter a capacidade de fazer quando não há feito.

Ora vê. No Carnaval fomos com as miúdas apanhar ar uns dias para fora, como podes imaginar, com as 3 miúdas e mais nós os dois, é cada vez mais difícil manter a organização e não deixar nada para trás! Dessa vez deixamos ficar em casa o gorro da Sofia. E tanta falta que ela fazia…

E houve problema? Não! Não levei o chapéu de casa mas… fiz lá um chapéu! Podia ter sido em lã mas na altura estava a trabalhar em feltro e foi em feltro que o chapéu nasceu!

Foi rápido de fazer e exclusivamente com os materiais que tinha à mão. Nada de máquina de costura nem tecidos ou lãs bonitinhas, a custo zero e ainda me diverti a fazê-lo!

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